No mês de novembro, 72 atletas brasileiros de diversas modalidades, entre eles Bernardo Romano – jogador de vôlei de praia patrocinado pelo Banco Cruzeiro do Sul –, Flávio Canto (judô) e Vicente Lenílson (atletismo), participaram de um treinamento de três semanas no exército. O novo projeto das Forças Armadas busca selecionar destaques no esporte, com o objetivo de reforçar a equipe brasileira que disputará os Jogos Mundiais Militares, no Rio de Janeiro, em 2011.
Em uma conversa animada, Bernardo – agora nomeado sargento temporário – conta como foi o treinamento.
Blog – Como começou o seu treinamento no exército?
Bernardo – Passei as duas primeiras semanas no Forte da Urca. Assistimos a muitas palestras, nas quais aprendemos desde a criação do exército, passando por aprendizado das patentes, que horas prestar continência e para quem. Também fizemos alguns exercícios de como usar a bússola, usar os termos certos, a roupa certa e aprendemos a marchar.
Blog – Como foi a parte prática do treinamento?
Bernardo – Na última semana, fomos para a AMAN – Academia Militar das Agulhas Negras – em Resende, no estado do Rio de Janeiro. Lá foi a semana mais cansativa e puxada, mas também a mais legal, pois aprendemos táticas para atravessar rios com todo o equipamento, aprendemos a dar todo tipo de nó, fizemos exercícios na pista de corda, aprendemos a atirar de fuzil 762 e eu realizei 16 tiros no stand da academia, uma das melhores experiências que tive lá!
Blog – O treinamento trouxe situações complicadas?
Bernardo – Nos dois últimos dias, saímos para o acampamento. Lá caminhei 10 Km à noite e só enxergava o sargento da frente, com a mochila pesando 12 quilos nas costas. Foram duas horas de caminhada, até chegarmos à mata, e depois ainda tive que montar minha barraca totalmente improvisada.
Blog – Como foi dormir na mata?
Bernardo – Tive que me ajeitar num saco de dormir, onde eu não cabia, mas ninguém mandou crescer demais, né?! Também tive que revezar na ronda de vigia do acampamento durante a noite. Também tive que acordar às 5 da manhã e retornar para o alojamento para finalmente poder tomar um banho e trocar de roupa, depois de quase dois dias de suor, água da chuva, lago.
Blog – Essa foi a parte mais difícil?
Bernardo – Bem, dessa parte da experiência eu não gostei nem um pouco. Nessas horas percebi o valor ao meu banheirinho de casa, com água quente (rs)… Mas tudo foi muito válido, com certeza!
Blog – Você teve que se adaptar a muitas coisas? Conte algumas!
Bernardo – Tive que me acostumar a algumas coisas fora da rotina, como fazer a barba todo santo dia, com direito a inspeção diária. Além disso, para irmos a todas as refeições – seja café da manha, servido às 6 da manhã, almoço ou jantar – sempre tínhamos que ir juntos, perfilados e marchando.
Na próxima semana, Bernardo conta um pouco mais sobre sua experiência e fala sobre como o Exército influenciou sua vida.
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